Anjos virtuais

O que leva astros como Leonardo DiCaprio e Lady Gaga a investir em empresas recém-nascidas.

O ator americano Leonardo DiCaprio já viveu incontáveis personagens no mundo do cinema, mas nunca o de um investidor. No máximo, personificou o lendário e excêntrico empresário Howard Hughes, um misto de aviador, engenheiro, industrial, produtor de cinema e fundador da companhia aérea TWA. O papel de financiador – tão em voga atualmente em filmes como A Rede Social, sobre a história do Facebook, e na série americana de TV Two and Half Men – ele desempenha na vida real. Desde o final de outubro, DiCaprio se tornou um investidor-anjo. Esse é o modo como são chamadas as pessoas endinheiradas que se dispõem a oferecer recursos e  contatos que ajudem no crescimento de uma empresa iniciante, também conhecida como start-up. Por ser famoso, DiCaprio é capaz ainda de aumentar a visibilidade de uma companhia pouco conhecida. O Twitter, por exemplo, só ganhou projeção depois de atrair a atenção de algumas celebridades. É justamente essa a expectativa da Mobli, desenvolvedora israelense responsável por um aplicativo que permite compartilhar fotos e vídeos feitos com smartphones. Ela acaba de receber um aporte de US$ 4 milhões liderado por DiCaprio."Leo não é um cara técnico, e não estamos procurando conselhos sobre tecnologia”, afirmou Moshe Hogeg, CEO da Mobli. “Seu diferencial é ser um cara muito, muito inteligente na questão do marketing. Por isso ele será nosso conselheiro nessa área.” O astro de Titanic não está sozinho. Cada vez mais celebridades da televisão, do cinema, da música e dos esportes têm se aproximado das empresas de tecnologia e internet. Trata-se de um movimento que também já chegou ao Brasil. Mas, se por aqui os exemplos ainda são poucos, no Exterior a história é diferente. No grupo de estrelas pop que investem em empreendimentos digitais estão, entre outros, a cantora Lady Gaga, investidora na Backplane, uma rede social de entretenimento ainda não lançada, e o ator Justin Timberlake, com o MySpace. Há também o vocalista da banda U2, Bono Vox, no Facebook, e William Shatner, o capitão Kirk de Jornada nas Estrelas, sócio da Priceline, que vende passagens e pacotes de viagem com desconto. O melhor exemplo dessa tendência, no entanto, é o ator americano Ashton Kutcher.  

O marido da atriz Demi Moore e que atualmente interpreta um investidor bilionário de empresas pontocom no seriado Two and Half Men já investiu em mais de 40 start-ups e se tornou sócio até de um fundo de investimento, o A Grade Investments. Para a revista americana Fast Company, que já lhe dedicou uma matéria de capa, Kutcher pode ser o primeiro grande magnata da nova mídia. Figura popular nas redes sociais, com mais de oito milhões de seguidores no Twitter e dez milhões de fãs no Facebook, Kutcher já usou sua participação na série, uma das maiores audiências da tevê americana, para divulgar algumas das empresas que apoia. Em mais de uma oportunidade, seu personagem apareceu em cena usando um notebook com uma série de adesivos de start-ups como Foursquare, Flipbo-ard e Airbnb, entre outras. Detalhe: todas elas receberam aportes de Ashton. O exemplo ilustra bem a exposição que uma empresa iniciante de tecnologia pode ganhar ao se associar a uma celebridade.  E a lista de favorecidos deve aumentar em breve. Há rumores no mercado digital americano de que o cantor Justin Bieber deve também se tornar um investidor-anjo. Há poucas semanas, em um grande evento no Vale do Silício, Scooter Braun, empresário do ídolo mirim, explicou o que Bieber ou Lady Gaga têm a oferecer a uma startup.“Percebi que o poder que os nossos artistas criaram para si mesmos no Facebook, no Twitter e no YouTube é extremamente valioso para o lançamento dessas novas empresas digitais”, afirmou Braun. Há até celebridades, como a estrela americana de reality show Kim Kardashian, que estão fundando as próprias empresas digitais. No caso dela, o empreendimento é a Shoedazzle, loja virtual ligada à moda, que recebeu mais de US$ 40 milhões em aportes e soma cerca de quatro milhões de usuários. O interesse dos astros no mundo digital é compreensível. O sucesso do Facebook reforçou a imagem de que o próximo pote de ouro digital pode estar nas mãos de um garoto com uma boa ideia, mas sem dinheiro. Para o investidor brasileiro Paulo Humberg, CEO da A5 Investments e um dos pioneiros da indústria pontocom nacional, há outra questão a ser levada em conta. Nenhum artista conseguiu fazer dinheiro sozinho com a web, o que atesta que apenas ter milhões de seguidores no Twitter não é um negócio em si. Como a indústria fonográfica foi a mais afetada até agora pela internet, percebe-se que não é por acaso que os músicos aparecem em bom número entre os famosos que destinam recursos para as start-ups. “Ao investir nesses novos negócios, eles buscam uma forma de gerar receita a partir da popularidade que conquistaram no meio online”, afirma Humberg. Os nossos anjos
Não são apenas as celebridades internacionais que estão atentas às oportunidades de investimento nas novas empresas pontocom. Por aqui, os apresentadores Luciano Huck e Carlos Massa, o Ratinho, além dos ex-jogadores de futebol Ronaldo e Zico, já aderiram à tendência. As compras coletivas são o maior fenômeno do comércio eletrônico nos últimos anos. E foi justamente nessa modalidade de e-commerce que os apresentadores Huck e Ratinho decidiram investir. O primeiro tornou-se sócio do Peixe Urbano, pioneiro e um dos líderes do modelo no Brasil. “Luciano tem nos ajudado a aumentar o alcance e o impacto da comunicação, o que é essencial na construção de uma marca cada vez mais forte”, disse Julio Vasconcelos, cofundador e CEO do Peixe Urbano. Já Ratinho se uniu ao Ofertas.com.br para criar o Massaofertas, site de compra coletiva voltado para as classes C e D. Os craques Ronaldo e Zico, por sua vez, decidiram apostar em um outro filão promissor da internet, as redes sociais. Em parceria com a MFD Sports, eles lançaram a P.Nera, uma comunidade online para quem gosta de futebol ou quer se tornar um jogador profissional. Ao menos um dos nossos anjos brasileiros parece que pegou gosto pela coisa.  “Tenho um fundo pessoal em parceria com alguns investidores e busco novas oportunidades na área de tecnologia e internet”, disse Huck à DINHEIRO. Nem todo mundo, porém, acredita que a participação de celebridades seja um fator decisivo para o sucesso de uma start-up. “Sem dúvida, um investidor como Luciano Huck agrega valor a qualquer empresa a qual ele se associa”, diz Anibal Messa, primeiro investidor-anjo do Buscapé e diretor de investimento da Temasek Holdings, de Cingapura. “No entanto, não acredito que a entrada dele ou de outra celebridade em uma empresa pode torná-la, de fato,  melhor.”
 
Fonte: istoedinheiro.com.br
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