Festival de cinema no Recife exibe vídeos caseiros e virais da internet

Pensados para celular e computador, filmes ganharam telona da Fundaj. Produções abordaram questões do espaço urbano da capital. 

Vídeo e áudio pensados para serem vistos na tela do celular e do computador. Ideias expressas em poucos minutos, sem muita produção, captadas por diversos meios, acessadas e compartilhadas por milhares de pessoas nas redes sociais. O Janela Internacional de Cinema do Recife exibiu, na sala da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Derby, filmes com esse formato, que têm fomentado debate, visibilidade e audiência, às vezes de forma viral na internet, sobre o espaço urbano da cidade.
 
Se há 15, 20 anos, o ponto de vista pessoal sobre questões sociais, urbanas e políticas era dividido com a população por meio de pichações no muro do bairro, textos fotocopiados e distribuídos corpo a corpo, hoje muitos usam a câmera do celular ou da máquina fotográfica. Finalizam o material no computador pessoal e publicam. O mundo todo tem acesso.
 
A sessão "Câmera Cidadã" exibiu vídeos que tratam do espaço urbano no Recife. Quem mora por aqui provavelmento já os viu, em links no Facebook ou Twitter. "Nós temos observado a facilidade de produção de imagem atualmente, de se expressar usando apenas o celular. As pessoas editam em casa e lançam na internet. São curtas que mostram um ponto de vista da cidade. Reunimos alguns que foram produzidos este ano e repercutiram nas redes sociais de forma interessante e peculiar", explicou o idealizador do evento, Kléber Mendonça.
 
Os três primeiros – "Velho Recife Novo", "Desurbanismo #1" e "Desurbanismo #2", no total de 48 minutos – foram produzidos por Luís Henrique Leal, Caio Zatti, Cristiano Borba e Lívia Nóbrega. O vídeo é uma costura de depoimentos de especialistas sobre fenômeno da "negação da rua", onde o interesse público perde para o privado na hora de pensar e construir um modelo de cidade. O material foi realizado na época em que muitos grupos debatiam de forma intensa, na internet, o polêmico projeto Novo Recife, que prevê a construção de 12 torres no Cais José Estelita, no centro.
 
"Desconstrução Civil", de Felipe Peres Calheiros, também focou no mesmo tema. O vídeo mostra trechos da audiência pública, no plenarinho da Câmara Municipal do Recife, realizado em março deste ano, onde a construtora Moura Dubeux explicou pela primeira vez o projeto Novo Recife. O debate foi acalorado e contou com a participação do MPPE, Iphan, Secretaria de Controle, Desenvolvimento Urbano e Obra e sociedade civil.
Os direitos dos ciclistas foram assuntos dos curtas "Ciclofaixa Cidadã" e "Ciclistas Invisíveis de Casa Amarela" , cujas autorias são anônimas. Os vídeos mostram pessoas pintando, à noite, uma ciclofaixa em uma avenida na Zona Norte do Recife, e depoimentos de pessoas que usam a bicicleta como meio prioritário de locomoção e reclamam mais respeito no trânsito na mesma região, respectivamente. Os vídeos estão em sintonia com as discussões a respeito da implantação da ciclofaixa da Estrada do Arraial, em setembro passado.
 
O trânsito ainda é tema do filme "Diabo Aplica Multa Cidadã em Frente à Igreja", de autoria anônima. No vídeo, um "diabo" adverte a Companhia de Trânsito e Transporte (CTTU) sobre veículos estacionados em locais proibidos e ainda deixa advertências nos carros.
 
É de autoria anônima também o vídeo "A Praça é do Povo", em que pessoas mascaradas pintam faixas de pedestre nas ruas em torno da Praça do Parnamirim, na Zona Norte do Recife. Outra praça, a dos Manguinhos, nas Graças, também vira alvo de críticas. As imagens revelam a falta de acessibilidade do espaço, que deveria ser público. Uma cadeirante é a personagem que faz a denúncia no filme "A Praça é Pra Quem?", de Amanda Beça e Bruna Monteiro.
 
Ao final da exibição, os realizadores comentaram sobre as produções. "Nós fizemos os filmes para serem exibidos na internet, que possibilita essa distribuição, que era impossível há alguns anos. Observamos que as pessoas têm reconhecido que é fundamental discutir as questões urbanas e nós quisemos intensificar, qualificar esse debate, além de facilitar o acesso a pessoas que estão por fora do assunto", disse Luís Henrique Leal, que participou da produção de "Velho Recife Novo", "Desurbanismo #1" e "Desurbanismo #2".
 
Os realizadores também destacaram a importância dos para o debate público, entre elas a co-autora de "A Praça é do Povo", de Bruna Monteiro. "Esse vídeo foi feito de maneira despretensioda, para ser compartilhado nas redes sociais e, em dois dias, teve 20 mil acessos, e a praça foi reformada. A gente faz o que sabe para ajudar, é uma espécie de estopim para mudanças", comentou.
 
Fonte: g1.globo.com
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